Wednesday, August 15, 2007

Mais azuis!

Por ninguém tentar, ou por ser tão teimosa... não há quem me diga o contrário. Sorrisos são azuis. E pronto. E ponto.
Ora, caminha debaixo desse teto azul, quente de luz, não dá pra resistir a tentação de mirar lá no alto e fechar os olhos e sorrir, assim-tudo-junto. Não dá. E ir almoçar, ficar mais contente porque tem manga amarelinha e fresca, amarela, mas com gosto de sorriso-azul. Tudo fica com gosto assim. Até a paciência com os motoristas impacientes que não deixam ninguém atravessar a rua. E também a correria pro tanto de vida acontecer, fica tudo mais azul. E ponto mesmo. Final!

Presente

E foi mesmo, né Lala? A gente fez um transmimento de pensação justo quando a Lala tinha terminado o presente pra mim, mas que na verdade fica presenteado todo ser que hora passa por aqui... Fiquei profundamente emocionada... lá de longe, esse tantão de estrada pra lá, Lala fez presente e se faz presente aqui... mio cuore, bella!

Sunday, June 10, 2007

Às vezes eu me demoro mais na leitura de uma boa história, só pra poder conviver um cadinho mais com aqueles personagens. Dias e dias carregando livro em ônibus cheio, cuidando pra não cair, almoçando junto, dormindo junto, que quando falta só aquele punhadinho de páginas, a gente economiza pra não terminar. Pra compartilhar mais das nossas histórias. Pra não dizer adeus. Pra não se sentir só. Mas sempre tem o tal do ponto final, final, que antecede só a contracapa. Acho que é por isso que dá vontade de escrever. Pra criar as histórias que seria maluca por ler, mas que ninguém escreveu.

Tuesday, May 29, 2007

Outro dia estava assistindo a entrevista de um físico que falava sobre as estrelas. Ele explicou um bocado de coisas que já tinha lido nas Scientific American. Mas hora a moça perguntou: então não adianta fazer pedido pra estrela cadente que elas na verdade não existem, não é? E pra minha surpresa o moço disse que não podia. DEVIA. Todo mundo pode e deve fazer pedido.

Senti o mundo mais levinho, por conta de alguém longe, que apesar de toda teoria do mundo, não desmancha a poesia e toda a graça de levantar os olhos à noite procurando um espelho, uma carona ou afago.

Eu já fiz meu pedido.

Tuesday, May 01, 2007

O Dia do Vazio

Tem dias que mesmo azuis, mesmo cheio de algodões, mesmo de brisa fresca e de sorrisos, falta. Acorda-se como se tudo estivesse inteiro, mas falta. Um incômodo sutil, como quando se está sentado muito tempo na mesma posição e não adianta remexer no sofá, que não há jeito de confortar.

Há tempos houve discussão sobre o vazio. De que não era certeiro o vazio ser tão ruim. Se algo está vazio é porque outrora esteve cheio. É? É. Vazio hoje por esgotar, desperdiçar, descuidar, exceder, quebrar.

Silêncio é ar vazio de sons. Às vezes é um vazio precioso pra dar som pros pensamentos mais tímidos. É impressionante como então eles se tornam espaçosos, cheios de quereres. E como houvesse silêncio daqui de dentro, ouve sons lá de fora. Cousas das quais já falei, o abafado das estrelas e os insetinhos noturnos.

Saudade é vazio de gentes e lugares e tempos. Faz vazios tão grandes dentro da gente, que me impressiono! De nem saber que eu mesma era tão grande pra comportar tanto espaço cheio que deixasse tanto espaço vazio!

Solidão é vazio de si mesmo. Não há jeito. Pode-se procurar gentes e lugares e tempos. E qualquer tentativa de dissertar sobre, vai parecer clichê. Como diria o Seu Erudito, "e tenho dito e pronto".

Pois sim. Lala e eu decretamos, 1º de maio, o Dia do Vazio! Nos abençoa, Chico, que agora tem de haver lugar pra o que vem vindo logo ali.

"É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar"
C. Buarque

Zizi ensinou a fazer fuxicos e passamos meses de linha, agulha e redondinhos de tecido coloridos carregados na bolsa pra aproveitar o tempo de trem e ônibus.

Agora já dá pra inventar coisas divertidas como esses imãs aqui.

Monday, April 30, 2007

Dois dias cinzas frios e tristonhos pra verter em, bem, vejamos, frios, mas azuis. E graça há de se encontrar. Vento gelado, que deixa a gente avermelhado de queimar. Cachecóis... cachecóis longos e fofos e quentes e coloridos. Filmes. Bons filmes. Em casa ou no cinema. Boa companhia. Cobertor, manta, edredon. Meias coloridas. Uma cousa ruim de frio é que a gente precisa colocar muita blusa pra ficar quentinho e quando abraça, encontra mais roupa do que gentes.

As abelhas vizinhas da minha janela ficam mais preguiçosas nesses dias. Elas nem vem me visitar.
Passei o fim de semana ouvindo "onde quer que esteja/Meu Caro Barão/São Bráz o projteja/o santo dos ladrão... pronto/ponto/de exlamação...", quase não consegui escrever por causa das gargalhadas de "Hollywood" - "ói, nós aqui!", com uma saudade danada dos Saltimbancos... e dia da semana os meninos estão no brechó mais interessante do mundo, se divertindo com umas enormes luvas de boxe amarelas! Olha só, fez parte dum filme d´Os Trapalhões!

Que sorriso bom!

Monday, April 23, 2007

palavrinhas soltas pra uma noite que se desencontrou

se tem no olho um jeito de dia, mira bem, mas muito bem mesmo, no gosto de azul. Ajuda a guardar no canto mais abrigado da memória, de modo que por uma gavetinha só seja fácil dar um doce pro cinza de amanhã.

Bastião

Numa das lojas que entramos, Zizi observou o bando de gatos na prateleira. E hoje eu quero dar-lhe o Bastião. Acho que ele lhe fará boa companhia, e assim como o Arquimedes, vai transitar entre os mundos, leva-e-traz de notícias, recadinhos, plantão de última hora e longas cartas.

Iríamos nos divertir um bocado, ouvindo agora "Meu Caro Barão", paralelos, não? E encadear um monte de músicas (eita Chico, Gil, Cae, Gal, Bethania, Elis, Renato, dá pra noite inteira") e você contaria mais um tanto do movimento cultural do bairro, a Cobra Salamandra-Boi... e um dia o circo chegou e trocando de lugares, não houve jeito senão transformar nesse novo espaço também, não é?

E o circo é a loucura toda que passamos juntos, é o circo onde todo mundo põe a mão na massa, seja inventando convites, manejando o canhão de luz, toda atrapalhada, figurinos, enfeita toda a entrada pra receber o público!

Vamos ao trancos e barrancos pensando na sua ausência-presença, às vezes fazendo força pra não entornar, mas sempre entre sorrisos de suas observações.

Engraçado como "Os Saltimbancos Trapalhões" cá estão fazendo trilha boa pras lembranças e casam tão bem com o que construímos no passado, mas Chico, me empresta um versinho pra encerrar:

"Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger"

Sunday, April 15, 2007

Zizi


Tia Ana ligou, manhã feita. Não, não está tudo bem. Zizi. Só não digo que ela parou a Terra pra descer porque talvez ela acharia mais divertido saltar assim em movimento. Passei o dia meio pastel. Simplesmente assim, muda de endereço e só precisa aprender a falar língua nova pra conversar. E eu lembrando da anilina rosa-goiaba pra tingir couro. E dos sete saraus, um pra cada um dos sete pecados capitais.

Ah, Zizi. Tua paciência, o pensamento avoado, o colorido, a poesia, aquele montes de idéias e coisas que me mostrava quando aparecia. O cactus Ernesto e o espantalho Paulo. O abacaxi-bebê. Um poço sem fundo de idéias, era assim. Mas acho mesmo que a gente só via uma beiradinha. Quem sabe dedindo de conhecer, e só.

Só doeu menos porque compartilhamos o quanto queremos te celebrar. Porque agorinha mesmo você deve estar contando causo (o do Pajé que as meninas profanaram ou do Santo Daime) e fumando um cigarro. Entre uma frase e outra, você pára e olha pra longe, um punhado de reticências. Eu empresto um pouco das tuas, porque elas dão abrigo pra minha saudade.
...

Monday, April 09, 2007

Só Exupery pode me vir a mente. Vá desobedecer um mistério...

Precisava escolher uma música pro número de arame da Maria... então eu lembrei de uma música do Tiersen da trilha de Amèlie... ora, eu não lembro de todos os nomes, mas pra citar eu tinha que recuperar o cd e olhar... o nome da música é "Sur le fil".

Eu sempre me impressiono.

Wednesday, March 28, 2007

Pois um dia me chamaram pra conhecê-lo, assim sem muita pretensão. Ele estava meio cansadinho, de muito tempo. Mas logo me encheu os olhos. Até que eu sou cuidadosa, porque no fim das contas nunca se sabe das intenções. Talvez ele não tivesse nem segundas ou terceiras. Eu o conhecia um cadinho mais por dia. Uma história aqui, cuida de um machucado ali, às vezes conversas animadas e outras, silenciosas. No silêncio a gente também se entendia. Veja que até quando era assunto doído era bom de aprender e ensinar. Nas manhãs eu lhe chegava sorrindo. Se vez ou outra meu olho entornava, ele também entendia. Ele sempre me deu colo. Brigamos, ah sim, mas seu colo também era minha casa. E é sempre bom voltar pra casa. É assim sabe? Assim que se cultiva um amor. Assim que o Circo me tomou o coração. E amor compartilhado, não tem jeito, não senhor, cresce pra tudo quando é lado e espirra em todas as direções.

Eu caminho sorrindo pra ti.

Allez hoop.

Wednesday, February 07, 2007

Eu só ouço Raul se for pra lembrar de você. Um skatista de calça xadrez e lá você sorrindo. Maroto, brincalhão, é você, você sorrindo pra mim. O primeiro dos palhaços, que há treze anos parou a Terra pra descer. Parou a vida de uma turma bonita, que abandonava aulas pra conversar sobre sonhos... Uma mania, um vício. Era de assustar os transeuntes do calçadão, mas que nada... eram Os Palhaços. A gente se dispunha a caminhar por 30 minutos (fazendo o caminho mais comprido possível) só pra ficar mais tempo juntos.
Lembrar de tudo ainda é dolorido, pois é. O desespero de não saber o que havia acontecido, as barbaridades que falavam, a espera sob o sol gelado de inverno, os pedidos, as promessas, as lágrimas, a incerteza. Eu nunca mais rezei depois daquele dia. Tive certeza de que você era muito doce pra continuar nesse mundo. Queria ter a chance de bater à sua porta antes. Só isso.
Eu tenho medo de esquecer teu rosto.
...like a Sunday morning...

Thursday, January 25, 2007

Sofro de um excesso de sensibilidade crônica. Não tem remédio, coquetel, nem tratamento experimental ou alternativo que dê conta disso. Qualquer coisa me transborda.


Presto atenção aos detalhes. Outras coisas simplesmente tropeçam em mim pedindo atenção.

Noite de aniversário de Sampa. Eu, caminhante, e a Avenida Paulista iluminada, esbanjando diversidade. Enquanto o ônibus ainda vai longe, capturo um Homem de (na) rua ajeitando-se pra dormir na soleira da porta de um Banco (as pessoas retirando dinheiro não o olham). Coloca os cobertores (aqueles cinzas com cara de Operação Inverno da Prefeitura), suas sacolas de plástico próxima aos pés, um embrulho faz as vezes de travesseiro. Ele se ajeita sob outro cobertor e abre o jornal. Faz um esforço danado e coloca-o próximo aos olhos. A iluminação do caixa eletrônico chega bem fraca a superfície do jornal. Antes de dormir naquela calçada, numa noite de verão, o Homem lê o jornal. Fico impressionada e olho ao redor. Ninguém mais o vê. Me sinto pequena. Fico curiosa imaginando quais palavras estão sob os olhos daquele Homem. E penso qual seria seu nome e sua história.


Fila do cinema. "Aqui é a fila pra Babel?" "É sim" "Obrigado" Duas senhoras param atrás conversando. Falam alto, entretidas. Quando a fila começa a andar, reclamam que o rapaz à minha frete "furou" fila. O rapaz vira-se e explica que ele já estava ali. Retrucam que não estava, que tinha saído e quis voltar para o mesmo lugar. Ele diz que não. Me incomodou a injustiça e eu intervi "senhora, ele já estava ali, eu mesma perguntei a ele se essa era a fila certa" E elas foram grosseiras comigo. E foram mais ainda com o rapaz, que ofereceu seu lugar a elas. Elas recusaram. Depois passaram à frente. Eu não consigo entender algumas coisas. Foi uma grosseria tão gratuita, dispensável, como todas as grosserias.


Luzes apagadas, o filme ainda não começou e ainda há pessoas entrando. Uma senhora reclama do rapaz que lhe deu passagem para as poltronas daquela fila. Ela resmunga alguma coisa. Ele retruca dizendo que só quis indicar o lugar. Eles trocam respostas ásperas e ela lhe manda um "cala a boca". O rapaz fica bastante irritado. A namorada intervém "se ela não tem educação, deixa pra lá".


Fico dolorida de presenciar esses diálogos. Preferia colher detalhes sorridentes, mas o caminho dessa noite era cheio de brutos.

Sunday, January 21, 2007

Esse mundo em construção tem pedreiros um bocado desleixados.
Eu gosto de São Paulo.
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Museu da Língua Portuguesa, Estação da Luz, Pinacoteca, Parque da Luz, Estação Pinacoteca, Sala São Paulo, Secretaria da Cultura.
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Eu gosto de São Paulo?
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Grupos de mendigos, homens e mulheres, sob um sol de meio-dia com tocas, blusas e montes de sacolas, em círculo, conversando alto; Uma criança dormindo em uma esquina. Outra. Outra debaixo de um toldo. Outra na soleira de uma porta. Nunca dá pra saber se é menino ou menina, sempre dormem cobrindo a cabeça com a blusa. Os pés descalços e pretos.
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Eu os vejo e tenho vergonha. Tenho medo e vergonha.
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Tenho vergonha porque gostaria de fazer algo e não sei. Tenho vergonha de ter medo de caminhar sozinha e passar por grupos de crianças e adolescentes na rua. Tenho vergonha de comer doce e passar entre eles. Às vezes até tenho vergonha por achar que não tenho motivos pra ficar triste, como eles têm. Tenho vergonha de reclamar quando tenho frio, quando tenho fome e quando me sinto só.
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Tenho vergonha do meu medo, da minha ignorância e da minha impotência.

Thursday, January 04, 2007

Ainda a caminho de Caxambu, visita às queridas Lala e Esther

Quando o ônibus fazia a curva, pensei ter visto um campo na escuridão. Pisquei um cadinho mais forte porque vi luzes piscando. Amassei o óculos e as mãos no vidro, feliz da vida, pensando ter visto um campo de vagalumes!
Pouco tempo depois a física derruba minha poesia mostrando que era apenas reflexo das distantes luzes de Passa Quatro. Me senti tola no início. Depois sorri pensando em como meus olhos iluminaram o cansaço da estrada com a ilusão de existir um campo na terra onde dormem estrelas.

Detalhes da estrada pra Caxambu

- Uma Variant azul-da-cor-do-céu-de-verão-no-meio-dia;
- Uma dúzia de Ipês amarelos em flor;
- Uma árvore que deve ter tomado muito vento de um lado só;
- Um cachorro pequenino sozinho num campo de futebol;
- Uma casa de madeira toda iluminada na beira de um lago;
- Uma casa pequenina de quatro janelas num vale entre três morros;
- A geometria de uma pequena plantação familiar;
- Uma imponente construção branco-desbotado-de-tempo, com dezenas de janelas altas em arco, todas voltadas para o leste. Abandonada;
- Uma cidade cheia de casas antigas com o pé direito alto e grandes janelas coloridas;
- A erosão na beira das estradas, algumas expondo a argila roxa que eu brincava quando criança;
- Uma empresa que faz reflorestamento para recuperação da mata ciliar de algum rio próximo;

Thursday, September 14, 2006

Previsão do tempo

Difícil dar conta da previsão do tempo. Já tentei seguir o que o homem do tempo dizia e nos dias em que anunciavam mínima de 15º, me enchia de blusas quando o dia ainda estava acordando. Ao meio-dia a bolsa não comportava tanta blusa que teve que guardar.
Nos dias que a previsão dizia "pancadas de chuva", lá vão os guardas-chuva e as capas e até meia de reserva pro sapato molhado. Por vezes ficava na bolsa. Azar das minhas costas.
Oba, hoje é "calor", máxima de 35º, céu aberto o dia inteiro, sandália, chinelo, saia, boné, filtro solar... e no fim da tarde o sol ia dormir trazendo um cobertor de vento geladinho, ia tremendo pra casa. Dá pra desistir.
Aí a achar graça em tudo quanto é tempo. Vivo tentando me convencer que o tempo tá bem aqui dentro de mim, mas tenho amores por céus azuis, pode o ar verter em vento gelado ou em teimosia parada e quente, mas nada me causa mais sorrisos do que céus azuis. Hoje foi um dia assim... deu até gosto de fazer mais coisas, escrever todos os projetos, ler todos os livros, andar, andar, andar, só pra ganhar mais carinho dos desejos de Maiakovsky.
Qualquer dia eu atropelo um poste de tanto gosto de olhar pro céu e não pro chão.