Minhas demoradas andanças pelos sebos de Sampa sempre me reservam sorrisos... se não os vendedores que já me sorriem quando pergunto (pela segunda, terceira, quarta vez) "o senhor tem algum volume sobre circo ou sobre palhaços", são as estantes que vão até o teto e não permitem que na minha parca altura eu possa ler a lombada pra saber que palavras escondem aquele título... fico na vontade, uma aflição danada pra uma incorrígivel curiosa... mordiscar o lábio num olhar rápido a procura daqueles fantásticos banquinhos... que outrora usei pra sentar-me e folhear volumes e mais volumes... ou vendedores que me oferecem o tal banquinho depois que percebem que estou há tempos sentada no chão ao sabor de palavras e cores... não fosse minha rinite e a infeliz dermatite de contato, passaria mais tempo tirando o pó das capas, contracapas, orelhas...
Saturday, March 04, 2006
Friday, February 03, 2006
Poesia.
Prosa.
Conto.
Crônica.
Qualquer lugar onde se derrama um coração.
Qualquer espaço onde palavras arrebatem minh´alma.
Uma rima.
Uma frase onde esqueceram todas as vírgulas: desespero.
Qualquer lugar onde a alma tenha espaço.
Quem pensou que em um punhado de letras poderia caber todo um mundo?
Tuesday, October 11, 2005
Coisas que amo
1. Cheiro de dia amanhecendo
1. Cheiro de estrada na madrugada
1. Noite de céu claro de tanta estrela
1. Seguir o Cruzeiro do Sul e Órion
1. Dias de céu azul e de brisa fresca
1. Deitar na grama pra adivinhar formar de nuvens
1. Dias de chuva ensolarada
1. Cheiro de terra molhada
1. Dentes-de-Leão......... dandelions!
1. Estrada pra um lugar
1. Cores
1. Lambuzar os dedos de chocolate (e comer!)
1. Caminhar pra algum lugar
1. Subir em árvores
1. Colher fruta da árvore
1. Andar descalça
1. Sentir a água do mar entre os dedos
1. Cheiro do mar
1. Colher conchinhas
1. Sons da noite... grilinhos, o som abafado das estrelas...
1. Abraços
1. Aquarelas
1. Jogar água pra cima e esperar pra se molhar
1. Seguir formigas
1. Cheiro de mato
1. Brincar
1. Gérberas e Girassóis
1. Água
1. Som de cachoeira
1. Cheiro de pão fresco
1. Cheiro de café (quando a água cai sobre o pó)
1. Beijinhos
1. Acordar em dias de sol
1. Sorrisos
1. Sentir frio na barriga
1. Ficar de ponta cabeça
1. Abrir os braços e girar, girar...
1. Palhaços
1. Leite
1. Ler bons livros
1. Me emocionar
1. Cheiro de lápis de cor e giz de cera
1. Dormir em rede pendurada na varanda
1. Danças descalça (e quando ninguém está olhando)
1. Colocar as mãos naqueles grandes sacos de grãos no mercado
1. Ir à feira de manhã bem cedo
1. Equilibrar-se em beira de calçada e muros
1. Apertar sacos de polvilho doce
1. Ouvir o mar dentro das conchas
1. Cheiro de pinheiro
1. Dar cambalhotas (na água e no chão!)
1. Cheiro de bolo assando (e de pão também)
1. Ficar na água (da cachoeira, do rio, do banho...) até os dedos enrugarem (mas hoje em dia não pode gastar água assim...)
1. Piscina de bolinhas
1. Cama elástica (e pula-pula de festa)
1. Ouvir música - leia-se boa música - bem alto (com as janelas de casa abertas, pra levar o som...)
1. Som do pau d´água (e mensageiro dos ventos de bambu)
1. Cheiro de estrada na madrugada
1. Noite de céu claro de tanta estrela
1. Seguir o Cruzeiro do Sul e Órion
1. Dias de céu azul e de brisa fresca
1. Deitar na grama pra adivinhar formar de nuvens
1. Dias de chuva ensolarada
1. Cheiro de terra molhada
1. Dentes-de-Leão......... dandelions!
1. Estrada pra um lugar
1. Cores
1. Lambuzar os dedos de chocolate (e comer!)
1. Caminhar pra algum lugar
1. Subir em árvores
1. Colher fruta da árvore
1. Andar descalça
1. Sentir a água do mar entre os dedos
1. Cheiro do mar
1. Colher conchinhas
1. Sons da noite... grilinhos, o som abafado das estrelas...
1. Abraços
1. Aquarelas
1. Jogar água pra cima e esperar pra se molhar
1. Seguir formigas
1. Cheiro de mato
1. Brincar
1. Gérberas e Girassóis
1. Água
1. Som de cachoeira
1. Cheiro de pão fresco
1. Cheiro de café (quando a água cai sobre o pó)
1. Beijinhos
1. Acordar em dias de sol
1. Sorrisos
1. Sentir frio na barriga
1. Ficar de ponta cabeça
1. Abrir os braços e girar, girar...
1. Palhaços
1. Leite
1. Ler bons livros
1. Me emocionar
1. Cheiro de lápis de cor e giz de cera
1. Dormir em rede pendurada na varanda
1. Danças descalça (e quando ninguém está olhando)
1. Colocar as mãos naqueles grandes sacos de grãos no mercado
1. Ir à feira de manhã bem cedo
1. Equilibrar-se em beira de calçada e muros
1. Apertar sacos de polvilho doce
1. Ouvir o mar dentro das conchas
1. Cheiro de pinheiro
1. Dar cambalhotas (na água e no chão!)
1. Cheiro de bolo assando (e de pão também)
1. Ficar na água (da cachoeira, do rio, do banho...) até os dedos enrugarem (mas hoje em dia não pode gastar água assim...)
1. Piscina de bolinhas
1. Cama elástica (e pula-pula de festa)
1. Ouvir música - leia-se boa música - bem alto (com as janelas de casa abertas, pra levar o som...)
1. Som do pau d´água (e mensageiro dos ventos de bambu)
To be continued...
Friday, September 23, 2005
Sobremesa
Eu, formiga, quis comer doce depois do almoço... imaginei aquele chocolate, bem grande!
Mas que nada... me rendi a uma amoreira que sobreviveu no meio do asfalto! Instantes de sumir do mundo, evocar cheiro de mato, fechar os olhos pra sentir o cheiro da fruta.... doce...
Mas que nada... me rendi a uma amoreira que sobreviveu no meio do asfalto! Instantes de sumir do mundo, evocar cheiro de mato, fechar os olhos pra sentir o cheiro da fruta.... doce...
Tuesday, August 30, 2005
Bom dia
Todos os dias (inclusive os chuvosos) bem cedinho encontro um senhor de bigodes brancos separando legumes em sacos plásticos transparentes. Ele coloca tudo num carrinho de mão e caminha, caminha e caminha para vendê-los.
Penso na boniteza que é poder ocupar-se de um trabalho honesto.
- Bom dia!
- Dia!
Sorriso.
Penso na boniteza que é poder ocupar-se de um trabalho honesto.
- Bom dia!
- Dia!
Sorriso.
Monday, August 29, 2005
Wednesday, August 03, 2005
Algo que eu sei

Agora me encontro também em cores quentes, me alegro com o choque que os olhos têm diante do contraste. Me orgulho da bailarina.
Sei que minha sombra está presente, sei que ela se alimenta do meu rancor e da minha dor e que fura meu corpo até a exaustão da dor física, pra me lembrar que sou efêmera, que também su frágil (apesar da fortaleza) e que tenho que respeitar isso, ouvir meu coração e pedir colo, pedir abrigo, pedir carinho.
Tuesday, July 26, 2005
Arthur Bispo do Rosário

"Os doentes mentais são como os beija-flores. Estão sempre a dois metros do chão". Algo assim, talvez sem alguns plurais. Arthur Bispo do Rosário pairava metros acima de nossas cabeças pecadoras. Veio para este mundo para redimir a humanidade e de uma cela forte no Núcleo Ulisses Viana construiu todo um mundo. Um mundo em miniatura que ele apresentaria no dia do Juízo Final. Nietzche uma vez escreveu que "é preciso ter um caos dentro de si para dar luz a uma estrela brilhante". Bispo me trouxe uma luz que me cegou. Passei dias pensando no cotidiano do manicômio, da violência, dos choques, dos possíveis sorrisos (será?)... Doeu pensar que ele criava todo aquele mundo sentido-se obrigado. Será que era como o escrever? Como se fosse impossível viver sem fazê-lo? Tive vontade de abraçá-lo. de compartilhar seus delírios, sua pressa em construir o mundo. O mundo que seria salvo, as pessoas que seriam salvas.
Agonia de pensar "será que ele foi feliz?", "será que sentia frio?", "será que sentia medo?", "sentia-se só?".
...............................................
"Eua já fui transparente. às vezes, quando deixo de trabalhar, fico transparente de novo. Mas normalmente sou cheio de cores". A.B. Rosário
...............................................
A nós, cheio de cores, a vida.
PS*: Vale a pena procurar mais, mas dou uma mãozinha: http://www.itaucultural.org.br/AplicExternas/Enciclopedia/artesvisuais2003/index.cfm?fuseaction=Detalhe&CD_Verbete=505
Tuesday, June 14, 2005
Diários de Motocicleta
Quando assisti Diários de Motocicleta fiquei admirando a boniteza do povo Indoamericano (acho engraçado isso: em espanhol, eles falam "Indoamerica" e quando traduzem para o português fica "Ameríndia", embora o Brasil tenha raízes indígenas também, parece que dá menos importância). Tinha um garoto que era guia em Cuzco que mostrava um muro que havia sido construído pelos Incas. Então ele mostrava uma outra parte, dizendo que havia sido construída pelos espanhóis, ou como eles diziam, os inca-pazes! Será que ninguém mais acha absurdo tudo o que foi feitos com os povos que aqui estavam quando os europeus chegaram? Dá até vergonha de pensar nos antepassados...
...
Eu não pude deixar de comparar uma coisa no filme: Che fica muito sensibilizado na colônia de leprosos (não gosto desta palavra), porque eles são separados das pessoas "sãs" pelo rio, cidam do outro lado. Só que anos mais tarde, ele cria em Cuba um "campo de trabalho" (sabe, primo-irmão dos campos de concentração) para dissidentes, homossexuais e soropositivos. Não é uma contradição colossal?
...
Me tomei do sentimento de pertença à América Latina, fiquei repleta daquela pele queimada de sol, dos chapéus coloridos, dos xales, dos rostos sofridos, das tranças negras como a noite... com um bichinho revolto dentro do estômago...
...
Eu não pude deixar de comparar uma coisa no filme: Che fica muito sensibilizado na colônia de leprosos (não gosto desta palavra), porque eles são separados das pessoas "sãs" pelo rio, cidam do outro lado. Só que anos mais tarde, ele cria em Cuba um "campo de trabalho" (sabe, primo-irmão dos campos de concentração) para dissidentes, homossexuais e soropositivos. Não é uma contradição colossal?
...
Me tomei do sentimento de pertença à América Latina, fiquei repleta daquela pele queimada de sol, dos chapéus coloridos, dos xales, dos rostos sofridos, das tranças negras como a noite... com um bichinho revolto dentro do estômago...
Monday, June 13, 2005
Um início, na estrada, à noite
Eu não sabia o que doía mais: se era ver aquele céu coberto de estrelas até onde minha vista alcançava ou a dor de não estar lá. E cada voz que emprestava sua alma pra minha, só fazia doer mais e mais.
De ver a Cruz de Estrelas ou os adornos do Herói contra aquele fundo escuro só dava era vontade de deitar lá fora onde o barulho não era metal, onde tudo era apenas o silêncio abafado que se ouve entre estrelas. Cá embaixo os sons do escuro já não doem tanto, são grilinhos, sapos e um zilhão de insetinhos fazendo sua serenata pr´aquele cobertor de luzes piscando.
De ver a Cruz de Estrelas ou os adornos do Herói contra aquele fundo escuro só dava era vontade de deitar lá fora onde o barulho não era metal, onde tudo era apenas o silêncio abafado que se ouve entre estrelas. Cá embaixo os sons do escuro já não doem tanto, são grilinhos, sapos e um zilhão de insetinhos fazendo sua serenata pr´aquele cobertor de luzes piscando.
Subscribe to:
Posts (Atom)